Aos quatorze dias de Dezembro de mil novecentos e quatorze, no Centro Republicano Democrático de Valadares, sitio na Rua José Monteiro Castro Portugal, pelas 8 horas, a convite do senhor João Luís Amaral, compareceram, António Alves dos Santos, António Pereira, Joaquim Monteiro, António Pereira Arouca, António Joaquim Tavares, Acúrcio José Pereira Freixo, António Francisco Pereira, Francisco Fernandes e Luís Ferreira Alves, para apresentar aos cidadãos mencionados a grande necessidade da instalação duma Estação de Bombeiros Voluntários nesta freguesia, propondo que nomeasse uma comissão administrativa para levar a efeito tão grande melhoramento. Depois de várias discussões que se prendiam com o mesmo assunto, foi nomeada a seguinte comissão administrativa: Presidente, António Pereira; 1º Secretário, João Luís Amaral e 2º Secretário, Afonso Alves da Silva; Vice-Presidente, Francisco Fernandes; Vogais, António Alves dos Santos, Francisco Silva, António da Costa Leite e Francisco José Pereira de Magalhães. Por o cidadão João Luís Amaral foi apresentado na Mesa a cópia do ofício nº 1, dirigido à Mesa de Administração dos Bombeiros Voluntários do Porto, o qual é do teor seguinte:
"Exma. Direcção dos Bombeiros Voluntários do Porto. Os abaixo assinados representando os paroquianos da freguesia de Valadares, vem apresentar uma petição, certos de que serão atendidos dado o constante interesse que essa prestimosq Associação dedica aos assuntos que lhe são interessantes. é indiscutível que a freguesia de Valadares tem progredido de tal forma que hoje a sua classificação administrativa é muito restrita em referencia à sua importância económica, pois que a sua influência mercantil e industrial se desenvolve numa extensa massa, tornando-se para isso um centro regional de elevada importância. Nestas condições é natural a aspiração que têm os paroquianos de a sua terra seja dotada com vários serviços que lhes são indispensáveis. entre esses tomaram maior vulto pela sua urgente necessidade de salvação pública. Dificuldades de várias espécies e principalmente de ordem técnica impede que se monte esses serviços custariam, sendo só possível levá-los a efeio com o auxilio de uma corporação já formada. Destas dificuldades nasceu a ideia de se apelar para essa prestimosa Associação dos Bombeiros Voluntários do Porto, que, modelo de organização, terá toda a facilidade de montar uma Delegação em Valadares, ficando a organização e administração técnica a seu cargo, e a administração financeira incumbida aos paroquianos. Se este apelo for atendido são diferentes vantagens e unidade que resultarão para a própria Associação dos Bombeiros Voluntários do Porto, pois que em caso de sinistro haveria o fácil e rápido avanço dos socorros que se tornarão inevitavelmente onerados e penosos quando vindos do Porto, havendo ainda as vantagens económicas, pois que a despesa de reparações e conservação do material deixaria de lhe onerar os cofres. Em vista do exposto os representantes esperam o bom acolhimento ao seu pedido, pois os rasgos de abnegação da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Porto, não poderão desmentir-se antes será aumentado o seu grande e brilhante registo com a sua anuência a esta tão justificada iniciativa.
Valadares, 27 de Outubro de 1914"
António Luís Amaral
António Pereira
António Francisco Pereira
António Joaquim Tavares
António Pereira Arouca
António Alves dos Santos
Luís Ferreira Alves
Joaquim Monteiro
Francisco da Silva
Acúrsio José Pereira Freixo
Em resposta ao ofício nº 1, a digna Direcção dos Bombeiros Voluntários do Porto, responderam o seguinte:
"Exmos. Senhores - O ofício de V. Exas de 7 de Outubro do mês passado não pode ser mais honroso para esta Associação porque nele fazem V. Exas. integra justiça ao serviço que o seu digno Corpo Activo tem prestado nesta cidade e nas suas circunvizinhanças, não só em caso de incêndio, mas também em muitas calamidades públicas. Esta Direcção vêem com toda a atenção as considerações que lhes fazem V. Exas., relativamente à pretensão que tem, aliás, justificada e justíssima à criação e formação de um corpo de bombeiros Voluntários em Valadares, e é com maior pesar que reconhecemos de não estarmos em condições de corresponder aos desejos de V. Exa. manifestados, porque não só não têm material disponível como tem lutado sempre com grandes dificuldades de recursos pecuniários, o que tudo torna extremamente impossível e difícil a missão desta Direcção. O que podemos com a melhor vontade fazer, é fornecermos a necessária instrução ao Corpo de Voluntários qye V. Exas. aí organizem e além disso emprestar-lhes-emos todo o apoio moral indispensável à boa ordem e ao bom nome da nossa Associação e corporação. Quanto ao material porém impossível se nos torna distribuí-lo da sede da nossa Associação, porque o que temos ainda não é bastante para as possíveis urgências de hoje. A um dos signatários do ofício de V. Exas., já o Presidente da Direcção expôs com a maior sinceridade as condições a nossa Associação por se lhe tornar impossível dar plena satisfação a V. Exas., como era desejo de todos nós e a esta sugeriu a ideia de V. Exas. procurarem entre os proprietários, capitalistas , industriais e lavradores de Valadares, uma subscrição a que não nos afigura difícil de conseguir, por ser como é essa terra riquíssima. Conseguido isso, ter-nos-ão V. Exas. à sua inteira disposição para completarmos o estabelecimento se serviço de incêndio nessa grande e linda freguesia.
saúde e Fraternidade
Porto, 7 de Novembro de 1914"
J. Ernesto Saraiva
P.S. - Diz: o senhor Luís Ferreira Alves, digno representante dos signatários do ofício de 27 de Outubro de 1914, digno paroquiano de Valadares.
Em seguida o cidadão João Luís Amaral, apresentou mais cartas ao cidadão Luís Ferreira Alves, a quem pediu interferência no assunto.
A Acta contém outros assuntos mas sem interesse de maior. No entanto, todos eles versavam a fundação da colectividade para que oportunidades de qualquer espécie fossem todas aproveitadas.
Nota - No decorrer da leitura desta Acta, verifica-se uma coesão de esforços, onde todos foram grandes.
