História


Fundada a 6 de dezembro de 1914, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Valadares tem na sua história o maior património e nos homens e mulheres que a representam a força motriz que abre caminho ao futuro. Direção e comando unem-se na firme determinação de atingir “patamares da excelência”, o que só é possível com trabalho “muito trabalho”, porque importa garantir valor acrescentado à instituição e aos que nela actuam tanto nas valências associativa e social como na operacional, como salienta o presidente António Silva.

A finalizar o primeiro mandato, o dirigente fala com orgulho do desempenho da equipa que encabeça, mas também dos contributos do comando, do corpo ativo e até dos elementos do Quadro de Honra (QH), que continuam a emprestar tempo e dedicação às coisas e às causas desta instituição.

O projeto sufragado pelos associados em janeiro de 2013 está a ser concretizado. Não obstante as limitações financeiras, a obra de requalificação do quartel prossegue a bom ritmo, prevendo-se que em breve os Voluntários de Valadares disponham de uma nova casa, mais arrumada e, por isso, mais operacional.

Para além dos trabalhos estruturais num edifício com inúmeras infiltrações, a empreitada contempla a pintura exterior e interior do complexo. A necessidade de garantir poupanças energéticas impôs a substituição de caixilharias, bem como alterações no sistema de iluminação. A modernização informática e a aquisição de uma nova central telecomunicações, foram outros dos investimentos recentes, sendo que falta ainda assegurar a beneficiação das camaratas, a requalificação de posto de abastecimento de combustíveis gerido pela associação e o reordenamento no acesso ao quartel, conforme revela António Silva.

Até ao final do ano, a tempo festejos do centenário deverá ainda estar concluído o núcleo museológico da associação, um espaço amplo com condições para acolher um rico acervo. Neste moderno polo, ganham merecido destaque muitas peças, pedaços de história de cem anos de atividade. A “joia rara” desta mostra será, contudo, o carismático Dodge de 1947, “o ícone do corpo de bombeiros” que esteve ao serviço do transporte de doentes até 1962 e que começou a ser recuperado em 2006 por um grupo de bombeiros. O presidente da direção fala com orgulho do “trabalho de pesquisa, dedicação, paciência, generosidade e abnegação” do comandante Ludgero Gaspar (QH) que liderou uma equipa constituída, ainda, pelos bombeiros Carlos Freitas (QH), Jorge Prazeres e Paulo Rocha.

No futuro núcleo estará, ainda,  patente o “Socorro dos Aflitos” um Land Rover de 1958, que passou à reserva em meados de 1990 que mercê do empenho dos bombeiros escapou à sucata, para abrilhantar esta mostra. Em apenas dois anos muito mudou nesta associação. O investimento global em todas estas intervenções não é fácil contabilizar, diz António Silva até porque neste novo ciclo os Bombeiros de Valadares puderam “felizmente” contar com o auxílio de amigos, de antigos bombeiros, que tudo dão à associação, nomeadamente tempo, materiais e mão-de-obra.

Da mesma forma, também não têm faltado apoios das empresas locais e da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, que não obstante todos os cortes impostos pela austeridade, manteve os apoios aos seis corpos de bombeiros voluntários do concelho.

A população, que andava um pouco arredada da realidade da associação, começa, também, a aproximar-se, essa é pelo menos a convicção de António Silva, incansável na dinamização de muitas e variadas iniciativas, numa estratégia de proximidade que assegura proventos à instituição. Só assim, afiança o presidente, é possível dar condições aos mais de 90 operacionais e satisfazer os compromissos com os 27 funcionários e com os fornecedores e ainda ampliar o serviço prestado a mais de 60 mil pessoas.

Esta é uma instituição voltada para fora, atenta e preocupada com a comunidade, tanto que após a falência da Cerâmica de Valadares se uniu à junta de freguesia e à comissão fabriqueira da paróquia para criar um refeitório solidário, uma solução que começou por ser temporária e dirigida às famílias atingidas pelo desemprego, mas que a crise do País acabou por transformar num projeto sólido, de enorme dimensão e importância para os mais carenciados. “Começamos por apoiar uma dúzia de pessoas hoje já são mais de uma centena”, refere o dirigente.

Considerando que o corpo ativo se encontrava um pouco “desmotivado”, considerou importante investir na formação dos operacionais, como forma de valorização pessoal. Por outro lado, a modernização quer do parque de viaturas quer a nível de equipamentos funcionou como um incentivo para um grupo que estava um pouco acomodado aos meios de que dispunha e à resposta que conseguia dar. Neste momento, todos querem fazer e dar mais, procuram estar sempre preparados para novos desafios, uma mudança que não tem apenas o cunho da nova estrutura de comando, mas também da direção “sempre atenta às necessidades dos bombeiros”, segundo defende Alexandre Sousa.

Direção e comando falam a uma só voz, norteados por projetos e estratégias comuns, porque só dessa forma é possível fazer obra e rentabilizar a legado deixado há quase cem anos, por um punhado de homens determinados. A herança não foi desbaratada, pelo contrário. 

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários cresceu, ganhou estatuto, responsabilidade social e operacionalidade.



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